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CAUSO 1 - MOISÉS (Pintor de cavalos)

Em 10/01/2020

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Lembrei-me dessa passagem e resolvi escrevê-la para não acontecer como tantas que se passaram e acabaram ficando para as calendas gregas. Ando muito esquecido.

E, depois, como dizem os juristas: "O que não está nos autos, não está no mundo"!

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Um dia, há cerca de dez anos, fui comprar um quadro de um artista que sempre admirei e, sabedor que expunha em um local costumeiro, não seria difícil encontrá-lo.

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Lá chegando, entre uma tela e outra, fomos conversando aí lembrei-me de uma pintura dele, e comentei que há mais de trinta anos, meu cunhado havia comprado e, sempre que ia visitá-lo, lhe dizia: “Um dia vou ‘roubar’ esse quadro seu”. O tempo passou, meu cunhado faleceu e o quadro sumiu...(não fui eu, hein!) e eu gostaria muito de encontrá-lo.

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Ele ouviu a história quieto e ao final me perguntou: “Para que você quer uma pintura, que fiz há mais de trinta anos? Com esse tempo todo, que me serviu de aprendizado, experiência, novas técnicas... amadurecimento, o que, obviamente fez minhas obras tornarem-se muito melhores...”.  Olhei para ele e, sem resposta, apertei sua mão, dei-lhe um abraço e acabei comprando não uma, mas seis telas aquele dia.

Depois ficamos amigos, sempre que podia, visitava seu atelier e ganhei mais umas dele; comprei outras e isso me serviu como uma grande lição: envelhecemos e sorte daqueles que o passar dos anos não serviram apenas para contar a idade, mas também e, principalmente para nos embriagar* de coisas boas,  aprendizados, experiências e virtudes! (*Alusão a um poema de Charles Baudelaire).

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O artista referido neste causo, é o pintor Moisés, figurinha carimbada do mundo artístico aqui, na Praça da República, centro de São Paulo, que até então, na minha cabeça era o "Pintor de Cavalos", sempre o conheci assim.

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"Moisés, um afro-brasileiro com origem senegalesa e marroquina, sentiu que sua sensibilidade artística entraria para a história da pintura nacional durante sua adolescência. 'Quando terminei o curso na escola de Belas Artes, em 1957, tive um estalo definitivo e notei que me tornaria um pintor', recorda.

Sua tragetória profissional tem na pintura acadêmica e no uso exclusivo dos pincéis, seus primeiros registros artísticos. Com o tempo, ele partiu para pinturas com pincéis chatos, até chegar em sua fase com espátulas, as quais nunca mais abandonou.

Atualmente, ele desenvolve temas como: o deserto, cavalos de todas as raças, animais africanos, cidades mineiras, casas caipiras, barcos e marinas, figuras humanas com ênfase para a nudez feminina, animais marinhos, entre outros. 'Mas é importante que um artista tenha liberdade de criação e esteja aberto para inovar permanentemente', enfatiza". (Trecho do editorial da Revista "Pintura em Tela - Edição 10" da On Line Editora.)

Moisés_Dodge_Dart.jpg

Reprodução fôlder da Consultoria Imobiliária Classe A  Década de 70 - Dodge Dart - Ícone e parceiro. - Foto: Nel Bispo

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Primeiro quadro que escolhi, naquele dia

Foto: Nel Bispo

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Para fugir um pouco de cavalos, música...

Foto: Nel Bispo

Moises_Cavalos Negros.jpg

Este foi um presente dele. Lembra muito o tal
quadro (nas cores e estilo, em especial o cavalo da direita), objeto que deu início a toda essa história, porém aquele, era apenas um cavalo. 
Foto: Nel Bispo

Essa lição, carrego comigo e passei a observar que ela é verdadeira e não é um privilégio dele: está conosco em todos os momentos de nossas vidas; vivemos num aprendizado constante e evolutivo, precisamos aprender a explorá-lo.

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Acho que isso se aplica também a vocês, artistas da música. O prazer que vocês demonstram, de que fizeram tudo bem feito, é notório.

 

E esse prazer continua; parece-me que é o elixir, produto da alquimia daquela poção resultante da combinação: talento-dedicação-amor, pela boa música. Só pode ser essa a explicação.

 

 A vida segue seu rumo inexorável e percebo que o carinho que sinto por meus ídolos, aumenta a cada vez que ouço suas músicas, recentes ou antigas; tenho a sensação que me levam à uma (pseudo)proximidade com eles, como se eu fosse do mesmo mundo deles e assim, noto que estão ainda melhores, tal qual aquela boa safra de vinho, que ano após ano, melhora o que parecia não ser mais possível melhorar... No caso da música, interpretação, a voz etc. seguem a mesma trilha, o que pode até parecer um paradoxo o que estou afirmando, mas estejam certos: não é; Isso faz parte da nossa existência, do nosso ser e é MARAVILHOSO sentir isso.

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Hoje vocês encurtam os caminhos, ou melhor, conhecem os atalhos e fazem com que todos eles, sejam planos (diferentemente da terra...rsr), o que acaba fazendo com que cada nova performance, fique mais linda ainda, como a história do vinho. Esse sentimento, também é extensivo àqueles artistas bons, que já se foram, pois certamente assim o seriam, se cá estivessem e, não me atrevo a listá-los, vez que sou contrário à  listas, medo que tenho de esquecer alguém, mas eles estão comigo também e sabem a quem me refiro, embora aqui, vou correr esse risco.

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Como disse João Bosco, em seu auto retrato,   “...meu nariz aponta para a linha do nada onde tudo se reparte em ideias, ilhas e continentes. Meus olhos confirmam tudo. A minha boca é toda ouvidos para o meu coração. Os meus ouvidos atentam para outras bocas”, de boa música, sempre!

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No mesmo dia que me recordei dessa passagem, pensei: um dia vou fazer algo sobre isso e esse dia chegou.

 

Aqui está uma singela homenagem que faço a esses monstros sagrados da nossa MPB.

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Vídeo 1 de 5, em complementação ao Post inserido no Instagram em maio/2020

Vídeo 2 de 5, em complementação ao Post inserido no Instagram em maio/2020

Vídeo 3 de 5, em complementação ao Post inserido no Instagram em maio/2020

Vídeo 4 de 5, em complementação ao Post inserido no Instagram em maio/2020

Vídeo 5 de 5, em complementação ao Post inserido no Instagram em maio/2020

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